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Flying Under the Radar: Biennial of the Arts    Rio de Janeiro x San Francisco

Takumã Kuikuro : Filme e Vídeo

Link: Vídeo

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Nascido em 1983, Takumã é o filho mais velho de Samuagü Kuikuro e Tapualu Kalapalo. Ele vive, como os outros realizadores Kuikuro, na aldeia de Ipatse, na Terra Indígena do Xingu, Estado de Mato Grosso. Fascinado pela câmara de vídeo desde a primeira oficina de video em 2002, Takumã tem sido um obstinado e inspirado ‘film maker’. Agora divide seu tempo entre a câmara e as obrigações que o ligam à família da jovem esposa.

 Sobre seu filme As Hiper-Mulheres: "Os índios sempre exerceram no homem branco um certo fascínio e a recíproca, infelizmente, sempre foi verdadeira. Seja nos Estados Unidos, onde foram retratados (e dizimados) das mais variadas formas (também no cinema), ou no Brasil, quase sempre colocados num plano distante e de maneira "engraçada". Fruto da curiosidade latente do bicho homem, a troca entre estes dois povos pode ser vista por duas óticas distintas: aquela que acha positiva e a outra que lamenta o encontro.

Assistir As Hiper Mulheres é uma experiência incomum por vários motivos. O principal deles, talvez, seja mergulhar num universo pra lá de curioso, distante e próximo ao mesmo tempo, e que foge do padrão pré estabelecido de um documentário sobre índios. Pode não ser o único, pode não ser o primeiro a ser feito dessa forma, mas é assim que provavelmente você poderá percebê-lo.

Embora não existam diálogos decorados, nota-se uma preocupação em tecer a trama baseada em um momento específico de uma tribo, preocupada com o mal estar de uma jovem, que atrapalha o andamento de um importante ritual de propagação de conhecimento através do canto feminino. 

Não faltarão para o espectador momentos de relativa tristeza, ao ver um oca "decorada" com lona de achocolatado Nescau ou um artesão com a camisa de Darth Vader (Guerra nas Estrelas). Por outro lado, o humor sacana, muito forte e até erotizado entre eles, ainda assim diferente do praticado pelo homem da cidade, não raro, poderá fazer você rir. 

Os mais atentos poderão lembrar até de Um Estranho no Ninho (1975) diante de sequências (longas demais) de ensaio dos cânticos que se repete dentro da oca, mas é na simplicidade de algumas frases que se extrai uma curiosa sapiência: "Tô esquecendo. Acho que vou morrer logo", diz uma anciâ, e "não dá para curar mulher menstruada", constata o pajé. 

Todo falado em dialeto, esse documentário dirigido a seis mãos, duas delas de origem indígena (Takumã Kuikuro), aborda um tema específico do universo deste povo morador do Alto Xingu e consegue ser mais do que um simples retrato audiovisual de uma sociedade altamente devotada aos seus cantos e escorada na força da mulher. O lado negativo é a possibilidade de parecer que seus 80 minutos durem mais do que 4800 segundos."

 

--Roberto Cunha