FLYING UNDER THE RADAR

VOANDO SOB O RADAR

Flying Under the Radar: Biennial of the Arts    Rio de Janeiro x San Francisco

Donatinho : Música

Link: Zambé

Era o ano de 97 quando um certo carioca de 12 anos ouviu pela primeira vez “Headhunters”, álbum de Herbie Hancock, num dos instantes mágicos em que a arte faz seu papel sublime de mudar paradigmas. 

É verdade que Donatinho nunca pode reclamar do playground à sua disposição nas estantes e na musicalidade do pai, João Donato, o enfant terrible da música brasileira cada vez mais cultuado, mas foi ao colocar nos ouvidos a fusão de jazz e sintetizadores do disco do genial pianista americano que foi atingido de vez pelo cupido. 

Autodidata - “um caminho mais difícil, certamente, mas com possibilidades mais originais”, diz ele -, aos 29 anos, é conhecido como um dos mais criativos e inquietos talentos dos novos ares da música brasileira. 

Os sons que saem de sua coleção de teclados vintage e de suas programações já há uma década vêm contribuindo para a música de artistas como Vanessa da Mata, Ana Carolina, Ivete Sangalo, Fernanda Abreu, Paralamas do Sucesso, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan, Davi Moraes, Celso Fonseca, Toni Garrido e Donatão, e até a dupla Sly & Robbie, mas Zambê, seu álbum solo de estreia, se mostram em sua amplitude. 

Olhos atentos podem vislumbrar o que está por vir pela capa. Seu figurino cyber divide a Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, com um prosaico carrinho